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Ajustando os Ranges de Open Raise

8 de agosto de 2019 | Poker news

Uma das coisas mais importantes no poker é conseguir ter os ranges de open raise bem ajustados. Isso nos ajuda a ter menos dificuldades no pós flop.
Para que isso aconteça precisamos considerar alguns fatores indispensáveis.
Antes de todas as considerações gerais existe uma frase que é essencial para que tudo se torne mais fácil e eficiente:

“Devemos construir ranges sólidos para conseguirmos ser flexíveis.”

Dentro desse conceito, conseguimos nos ajustar a cada cenário que vamos enfrentar nos aproveitando de situações que estão fora do nosso padrão e muitas vezes passam desapercebidas.
Primeiro devemos situar nossa posição e já atrelado a esse pensamento nossa faixa de stack e quem são os jogadores da nossa esquerda, ou seja, como nossa mesa está se comportando. Sendo assim quando vamos tomar a decisão de dar open raise já vamos colocar estes três tópicos em pauta, não esquecendo de ter um range sólido bem construído, pois eles já geram EVs suficientes mesmo sem as adaptações através das informações coletadas. Essas informações são obtidas através de, stats e observação do comportamento dos jogadores a nossa esquerda.

 

Ajustes por posição:

EP = Ranges mais Estáticos: Não existem muitos ajustes pois temos muitos jogadores na nossa esquerda a mesa tem que estar muito tranquila e, principalmente, os blinds precisam ser jogadores fracos. Como essa frequência é muito baixa, normalmente seremos bem tight das posições iniciais.

MP = Poucos Ajustes: O principal aqui é estar ligado no CO, BU e Blinds, os ajustes são pequenos, por isso saber se o BU e o CO são jogadores tight e os blinds são fracos nos deixa bem a vontade pra fazermos adaptações, já em situações onde essas posições são mais loose, tanto passivo quanto agressivo, faz com que fiquemos mais conservadores. As vezes podemos ser um pouco mais loose contra os passivos, quando eles têm um posflop muito fraco, foldam muito pra c-bet por exemplo, isso nos ajuda a mudarmos um pouco nossa estratégia.

LP = Muitos Ajustes: As análises são as mesmas de quando estamos MP, mas agora como estaremos mais próximos dos blinds, é mais importante ainda estarmos cientes de quem são eles para fazermos a maior adaptação possível. Nessas posições iremos variar muito nosso range, temos poucos jogadores a nossa esquerda, isso facilita aumentarmos drasticamente nosso range e gerar o máximo de EV possível.

 

Stats e informações:

Devemos coletar o máximo de informações o mais rápido possível, para conseguirmos fazer boas adaptações e gerarmos mais EVs do que o normal. Para isso, além de observarmos o comportamento dos jogadores da esquerda podemos também analisar algumas stats como VPIP, PFR e 3BET. Sincronizando essas stats conseguimos saber se os jogadores são loose ou tight, passivos ou agressivos. E como fazer isso?

Observando a distância entre elas, por exemplo:

Um jogador que tem VPIP muito alto e PFR e 3bet muito baixo é um cara loose e mais passivo, pois ele dá pouco raise e pouco 3bet mas joga muitas mãos de call e limp, já um jogador com todas as stats muito altas, é um cara loose e mais agressivo pois dá muitos raise, calls, limps, e 3bets. Vamos então para alguns exemplos mais práticos, lembrando que são apenas exemplos, não quer dizer que sempre serão exatamente estes números.

VPIP/PFR/3BET

Loose/Passive: 36/8/5 ou 44/7/4 – Ficamos mais Tight, mas quando os blinds são assim podemos ficar mais loose pois vamos jogar em posição.

Loose/Aggressive: 38/22/12 ou 40/26/14 – Ficamos mais Tight.

Tight/Passive: 16/6/3 ou 18/7/5 – Ficamos mais Loose.

Tight/Aggressive: 21/16/11 ou 19/14/9 – Buscamos mais equilíbrio.

Um jogador mais equilibrado normalmente vai girar em torno de 24/20/8 ou 25/21/8, sendo assim, também buscamos mais equilíbrio.

Outra estatística legal para variarmos um pouco essas adaptações é se ele tem um Fold p/ c-bet alto, assim podemos ficar mais loose contra esses caras que são mais loose/passive, eles pagam muito préflop mas normalmente foldam a maioria das vezes que não acertam.

 

Faixa de Stack:

Sempre devemos pensar em equidades diretas e equidades robustas quando estamos adaptando nosso range através da nossa faixa de stack.

Equidades Diretas: Mãos que acertam top pair com regularidade e normalmente precisam de menos streets para sua realização como broadways e alguns AXo mais fortes.
Por exemplo: AJ, A9, KQ, KJ, QJ, QT, JT…

Equidades Robustas: Mãos que normalmente precisam de mais streets para realização ou buscam jogadas mais fortes como, flush, straight ou trincas, como pares e suited connectors. Muito cuidado com os pares pois eles não vão acertar tantos boards e reagir tão bem em streets futuras como os connectors, devemos analisar bem os boards que podemos continuar.
Por Exemplo: T9s, 97s, 86s, 54s, 44, 33…

Quando estamos mais deep podemos aproveitar todos os tipos de equidades, tanto diretas quanto robustas, pois poderemos jogar mais streets e realizar nossa mão com mais frequência. Estando mais short fica mais difícil jogarmos mais streets por isso vamos preferir mais equidades diretase diminuir bastante nosso range de equidade robusta.
Muito cuidado quando estiver com um stack entre 25 e 30bb, pois iremos tomar mais 3bets, é um stack bom para ser explorado, então devemos procurar estar mais protegidos para podermos nos defender melhor.

 

Construção de Range:

No geral, tanto short quanto deep, nosso range sólido é mais tight para gerarmos um EV considerável, alguns bons exemplos de porcentagem ajudam na hora de construirmos estes ranges, e a partir delas ajustamos as equidades diretas e robustas:

EP: 15% chegando a 17 até 18% com ajustes.
MP: 22% chegando a 25 até 30% com ajustes.
HJ: 28% chegando a 35 até 40% com ajustes.
LP: 34% CO e 45% BT. Do CO chegando até 50% e BT podendo chegar até 80%.

Estas porcentagens são um bom caminho para gerarmos bons EVs e nos ajustarmos, sempre lembrando das informações coletadas dos jogadores a nossa esquerda.

 

Considerações Finais:
Lembrar sempre que erros irão aparecer, por isso marcar mãos para estudo sempre irão nos ajudar a melhorar nossa prática.
Ranges de open ruins são o principal motivo para erros e grandes complicações no pósflop, por isso devemos sempre estar atentos a todas as considerações possíveis em cada cenário que iremos enfrentar.
Não ficar muito estático ligando o piloto automático, esquecendo de pensar nos fatores que nos ajudam a nos adaptar da melhor forma.

Não se esqueçam que o poker é um jogo onde os estudos de revisão e analises fazem com que você evolua a cada dia, por isso sempre rever estes conceitos e estudá-los traz o aperfeiçoamento destas técnicas.

Daniel “Cabeça Tilt” Costa

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